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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vida Êta vida!

Esta vida de semana em semana me consome. Gosto de me desprender do horário, de virar a rotina de cabeça para baixo, só para sentir falta dela. Para mim três dias de vida igual já merecem uma virada! À noite tenho vontade de navegar, escrever, ver televisão. Aliás, na madrugada tudo é mais gostoso, tem mais sabor. O filme é mais interessante, a pipoca mais cheirosa e quentinha, a cama mais aconchegante, a conexão mais rápida, o silêncio mais profundo e os vizinhos..ufa! estão dormindo! Na madrugada a rua para, a pipa não sobe a criançada não grita. Mas eu, reles trabalhadora não posso degustar destes prazeres e tenho que seguir o horário da manada. Olho o relógio com temor já são 00:24 e logo vou virar abóbora. Tenho que me recolher, senão… O café de amanhã vai ser servido, o banho tomado e o metrô, espaço da intimidade pública, me aguarda de portas automáticas abertas! Rumo para o escritório, para os papéis, as impressões, os telefones que não param de tocar, aí, para o almoço, para o depois do almoço! para a volta do trabalho, o metrô apertado, as ladeiras da Penha.. . Então, mais uma espalhada na vida, mais uma namorada na noite e nas horas que irão passar sem que eu delas queira saber… até a 00:30, para eu não perder o horário do café de amanhã que será servido, do banho que será tomado, do metrô.., do escritório, do …

sábado, 27 de junho de 2009

À semana que se foi e a outra que virá

A vida está mesmo uma correria e não dá para não ficar bucólica e campesina num dia como este: um sábado com muito frio e uma névoa que molha os ossos e encharca a alma. Para piorar ponho para ouvir as músicas da novela das 6. Campo, mato, riacho de águas cristalinas, fogueira e um tempo que parece que se esqueceu de correr nos carros, elevadores e corredores da grande cidade.
Não tem como não sentir uma nostalgia de algo que nem sequer sei o que é e não vivi, pois sou nascida em cidade, criada em cidade. Mas nossa herança rural é como a força da genética está lá ainda que como recessivo.
Viver em Sampa é bom, mas sofro muito com a rotina e as pressões do trabalho. Hoje a gente parece que está numa maratona e não na vida. Segue caprichos de burocratas que criam urgências que depois que são cumpridas, mofam em suas mesas. Parecem crianças mimadas que depois do espetáculo em público e a conquista pelo brinquedo, depois de algumas horas, perdem o interesse.
A maldita tecnologia!!! Essa facilidade de encontrar a gente em qualquer lugar e momento cria uma urgência, acelera as decisões e os encaminhamentos e ficamos todos a mercê dos burocratas que nada fazem a não ser tirar um novo ás da manga a cada solavanco de seu capricho!!! Chega.... quero voltar para a beira da fogueira, fincar os pés na terra, sentir a brisa, abrir os braços, esticar o peito e deixar o sol invadir e aquecer a minha alma!
Desse modo vou passando este sábado: meio que traumatizada pela semana que passei, meio saudosista de algo que não vivi, desejosa por uma outra rotina. E só amanhã estarei mais temperada, o distanciamento ainda que de dois dias me resgata, me reencontro, ainda que cada vez mais desconhecendo um pouco mais esta sheila que fica, que permanece e envelhece na grande cidade.