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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sobre o tempo

Quanto dura uma hora? Quanto tempo dura 60 minutos? Uma eternidade ou rápido feito um piscar de olhos?! O tempo é tão relativo, entretanto, insistimos em lidá-lo como se fosse algo absoluto. Os relógios de precisão, os cronômetros e outras parafernálias tecnológicas jamais darão conta desta resposta. O tempo passa mais rápido quando estamos na internet. Aliás, o tempo voa! Quando espero a chegada de um ônibus, valha-me deus! E na fila do banco? Esta lei foi muito condescendente com os bancos, 15 minutos numa fila de banco, vale muito mais como espera. E nas férias então? O tempo fica excitado como nós! No pensamento, naquela cochilada! Mas eu que amo o tempo e como os africanos o entendo como um Deus, só peço que ele esteja por mim, seja por mim sempre a meu favor, que dele eu tire mais aproveitamento, mais conhecimento, sabedoria e prazer. “ Tempo, tempo, tempo vou lhe fazer um pedido…” que Caetano Veloso como bom baiano o cultua também.

domingo, 5 de julho de 2009

Nostalgias

A nostalgia da vida rural é algo que na interpretação dos junguianos remete aos arquétipos. Como sentir saudades de algo que não se viveu? Ninguém aqui duvida da vida árdua na agricultura: sol, horas curvadas sobre o capim daninho, a busca pelos pulgões e outras demandas sutis e não tão sutis assim. Não bastasse acordar cedo para tirar o leite da vaca, sofrer correirões de mãezinhas recém paridas ou com a prole ainda muito frágil. Ok, eu não vivi isto, mas sei de vários relatos e o que não me foi contado posso adivinhar, posso dar asas a realidade e pensar em suas minúcias.
Quando penso na vida campesina não quero abrir mão de certas tecnologias, aliás acho que muito foi desenvolvido nesta área e que sequer requer tanta sofisticação. O básico como fundamento científico, o mínimo como conhecimento tecnológico, não preciso de um touch screem para realizar certas tarefas, mas preciso dos seus princípios.
Tempo, meu deus como cada vez mais lhe acho deus. Quero ser dona do meu tempo, quero ao longo do tempo fazer coisas que me engrandecem, me enriquecem, me elevem. Não quero ser avaliada nas missões comezinhas pela rapidez, quero te curtir, quero ser dona de ti e não alienada em seu nome!!!
Aí penso na vida rural, penso na sobrevivência da terra, no cripitar da fogueira, na imensidão das estrelas, quero trocar as luzes da cidade pelo escuro lunar, escuro que chega dói!!!!

sábado, 27 de junho de 2009

À semana que se foi e a outra que virá

A vida está mesmo uma correria e não dá para não ficar bucólica e campesina num dia como este: um sábado com muito frio e uma névoa que molha os ossos e encharca a alma. Para piorar ponho para ouvir as músicas da novela das 6. Campo, mato, riacho de águas cristalinas, fogueira e um tempo que parece que se esqueceu de correr nos carros, elevadores e corredores da grande cidade.
Não tem como não sentir uma nostalgia de algo que nem sequer sei o que é e não vivi, pois sou nascida em cidade, criada em cidade. Mas nossa herança rural é como a força da genética está lá ainda que como recessivo.
Viver em Sampa é bom, mas sofro muito com a rotina e as pressões do trabalho. Hoje a gente parece que está numa maratona e não na vida. Segue caprichos de burocratas que criam urgências que depois que são cumpridas, mofam em suas mesas. Parecem crianças mimadas que depois do espetáculo em público e a conquista pelo brinquedo, depois de algumas horas, perdem o interesse.
A maldita tecnologia!!! Essa facilidade de encontrar a gente em qualquer lugar e momento cria uma urgência, acelera as decisões e os encaminhamentos e ficamos todos a mercê dos burocratas que nada fazem a não ser tirar um novo ás da manga a cada solavanco de seu capricho!!! Chega.... quero voltar para a beira da fogueira, fincar os pés na terra, sentir a brisa, abrir os braços, esticar o peito e deixar o sol invadir e aquecer a minha alma!
Desse modo vou passando este sábado: meio que traumatizada pela semana que passei, meio saudosista de algo que não vivi, desejosa por uma outra rotina. E só amanhã estarei mais temperada, o distanciamento ainda que de dois dias me resgata, me reencontro, ainda que cada vez mais desconhecendo um pouco mais esta sheila que fica, que permanece e envelhece na grande cidade.